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quarta-feira, 17 de julho de 2013

A mente quer milagres.

Pergunta: Ficaria surpreendido se o Cristo dos Evangelhos aparecesse de repente, para que todos o vissem?

Krishnamurti: Sabem, a mente quer milagres, ideias românticas, fenômenos sobrenaturais extraordinários. Não que não haja milagres, não que não haja fenômenos sobrenaturais; mas nós procuramo-los porque as nossas mentes e corações são tão pobres, tão vazios, tão miseráveis, tão feios, que pensamos que podemos dominar essa pobreza de espírito e de coração procurando esses milagres, correndo atrás de fenômenos, perseguindo-os. E quanto mais procurarem fenômenos e milagres, menos ricos serão, menos plenitude de mente terão, menos afeto. Quando existe plenitude de mente e coração, então haja ou não milagres ou fenômenos suprafísicos, isso terá muito pouca importância. Ora nós criamos tais divisões, tais distinções entre o físico e o suprafísico, porque o físico é tão intolerável, tão feio. Queremos fugir, e vocês seguem qualquer pessoa que os possa conduzir ao suprafísico, e chamam a isso espiritual; mas nada mais é que outra forma de autêntico materialismo grosseiro. Ao passo que a verdadeira espiritualidade consiste em viver harmoniosamente, com perfeita harmonia no vosso coração e na vossa mente, porque há compreensão, e nessa compreensão há o prazer de viver.

-J.K - Auckland, Nova Zelândia, 2ª palestra nos jardins da Escola de Vasanta 31 de março, 1934.

http://www.jiddu-krishnamurti.net/pt/krishnamurti-o-que-e-a-accao-correcta/1934-03-31-krishnamurti-o-que-e-a-accao-correcta

 

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Por que damos uma ênfase tão extraordinária à mente? 

O nosso problema está no fato de a nossa vida ser vazia e de não conhecermos o amor; conhecemos sensações, conhecemos a publicidade, conhecemos exigências sexuais, mas não há amor. E como se faz para transformar esse vazio, como encontrar essa chama sem fumaça? Esta é por certo a pergunta, não é? Então, vamos descobrir juntos a verdade desse assunto.

Por que a nossa vida é vazia? Embora sejamos muito ativos, embora escrevamos livros e frequentemos o cinema, embora nos divirtamos, amemos e vamos ao escritório, nossa vida é vazia, tediosa, mera rotina. Por que os nossos relacionamentos são tão superficiais, estéreis e sem muito sentido? Conhecemos a nossa vida suficientemente bem para saber que a nossa existência tem muito pouco significado; citamos frases e idéias que aprendemos — o que fulano ou beltrano disseram, o que os mahatmas, os santos mais recentes ou os antigos santos disseram. Se não for um líder religioso, seguimos um líder político ou intelectual, seja Marx, Adler ou Cristo.

Somos apenas fitas gravadas que repetem, e damos a essa repetição o nome de conhecimento. Aprendemos, repetimos, e a nossa vida continua extremamente superficial, entediante e repulsiva. Por quê? Por que é assim? Por que atribuímos tanta importância às coisas da mente? Por que a mente veio a se tornar tão importante na nossa vida — quando digo mente refiro-me às idéias, ao pensamento, à capacidade de racionalizar, de avaliar, de sopesar, de calcular?

Por que damos uma ênfase tão extraordinária à mente?

- J.Krishnamurti

Sobre o Vazio Existencial:http://pensarcompulsivo.blogspot.com.br/2013/06/vazio-existencial.html

 

terça-feira, 9 de julho de 2013

Estamos sempre à procura de líderes.

Todos nós queremos que nos digam o que fazer. Marx lhe diz o que fazer, Cristo lhe diz o que fazer, os psicólogos lhe dizem o que fazer, os políticos lhe dizem o que fazer. Estamos sempre à procura de líderes - Um melhor líder político do que o atual. E o melhor líder político nem sempre é bom o suficiente, mas o próximo será melhor. E, assim, mantemos essa ideia. Por favor, vamos ser claros quanto a este ponto. Você pode transformar o orador em um líder,o que vai ser uma loucura total, mas o orador não é um líder. Estamos juntos investigando para descobrir a causa de toda essa miséria do homem. Você teve mil líderes. Todos eles falharam.

-J.Krishnamurti

https://www.youtube.com/watch?v=t9h1Rzwv31A

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Interrogante: Há na Bíblia uma frase de Jesus Cristo que sustenta que devemos perdoar e amar até mesmo os nossos inimigos. O que o senhor tem a dizer sobre isso?

***

Krishnamurti: A pergunta desse senhor é sobre um dito de Jesus sobre o perdão e sobre o amor. E vós o que dizeis?
Pessoalmente não costumo ler nenhum desses livros - Corão-Bíblia-Pitakas-Gita-Upanishads... E se repetis o que diz Jesus ou outro, eu vos digo: Não lhes deis ouvidos. Não sigais ninguém. Não aceiteis nenhuma autoridade. Porque todos podem estar errados, e geralmente estão quando se lhes atribui autoridade. Tecnologicamente, a autoridade é necessária, para aprendermos a operar uma máquina, um computador, um carro, etc...Mas se tendes alguma autoridade psicológica, isso significa morte, escuridão. Este país está cheio de autoridades dessa espécie- a autoridade do chefe de família, a autoridade do instrutor, de Buda, Krishna, Maomé, etc... No ocidente a autoridade é o Cristo, etc...E há os ideólogos políticos, os filósofos, professores, os líderes de esquerda e direita; os "santos" que jejuam e meditam, etc... Não sigais ninguém, nem mesmo a este orador que vos fala. Não sois capazes de ver por vós mesmos ou de pensar por vós mesmos de maneira original e criativa; foi sempre este o veneno! Pensar por si mesmo significa revoltar-se. Não sois capazes de revoltar-vos; tendes medo de perder o emprego, de que as coisas vos saiam erradas. E assim aceitais a tradição. A tradição é sempre morta, e porque estais seguindo coisas mortas, estais a morrer.

- Krishnamurti -